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                                – Frangos de granja ou frango caipira? –

No cenário ‘fitness’ em que vivemos, as informações sobre o que faz bem para nossa saúde estão em alta. Vamos começar por elas, então? Quando o assunto é frango, aparecem as dúvidas em relação à diferença do frango de granja para o frango caipira.

Segundo Ronald de Lucca, veterinário especialista em avicultura e gestor da empresa de consultoria Mais Caipira, as principais diferenças são as seguintes:

Frango caipira tradicional: O legítimo frango caipira que ouvimos as nossas avós citarem provém das aves criadas soltas em várias propriedades espalhadas por todo o Brasil. A alimentação e o trato com essas aves apresentam pouca intervenção, simulando, desta forma, um desenvolvendo natural das mesmas. Os frangos caipiras possuem uma coloração mais amarelada, ou seja, um indicativo de um maior teor de vitamina A principalmente. A carne deste frango é também mais rígida e com menor teor de gorduras totais. Isso se dá pelo fato das aves terem acesso a pasto, não sendo submetidas ao stress que uma ave criada no sistema tradicional tem, propiciando um melhor conforto e respeitando as leis de bem-estar animal.

 

Frango caipira tipo industrial: São criados em um sistema com acesso a pasto, onde as aves conseguem adquirir várias características semelhantes aos frangos caipiras tradicionais criados soltos fazendas, como coloração da carne, pele, rigidez da carne etc. Grandes empresas como a NHÔ BENTO da SEARA e a KORIN estão trabalhando neste segmento.

 

Frango de granja tradicional: O frango de granja tradicional é aquele criado em ambientes fechados. Em geral nestes ambientes onde há um abrigo coletivo de aves, é gerado stress nos animais, o que pode interferir na qualidade da carne a ser consumida. Porém, neste tipo de criação o produtor tem mais controle do produto final e de seus resultados.

 

       -Quais as raças mais populares para o segmento de frango de corte?-

Para discorrermos sobre este assunto faremos a divisão entre a avicultura industrial e a alternativa. A avicultura industrial traz as chamadas raças híbridas, as quais passaram por cruzamentos e melhoramentos genéticos até chegarem no perfil que estão hoje para um objetivo pré-selecionado. Já a avicultura alternativa trabalha com as chamadas aves caipiras ou puras.

 

Avicultura Industrial: As aves COBB, AVIAGEN e HUBBARD dominam o cenário atual. Todas provém de empresas multinacionais. Mais de 80% do mercado é mantido pela COBB devido ao seu rendimento de cortes nobres e desempenhos zootécnicos. Para facilitar, vamos aos exemplos!

 

COBB: A COBB é uma das maiores empresas a nível mundial quando o assunto é avicultura. Ela é a responsável pela COBB500, uma das raças mais lucrativas no segmento de frango de corte. O sucesso desta ave está diretamente ligado à chamada conversão alimentar proporcionando uma economia significativa quanto a alimentação. A conversão alimentar é uma medida de produtividade animal que é definida pelo consumo total de ração, dividido pelo seu peso médio, ou seja, a conversão alimentar aponta o custo da ração por unidade de peso produzido.

A COBB500 apresenta ainda excelência no nível de desenvolvimento, crescimento e melhor uniformidade de frango de corte para processamento.

 

AVIAGEN: A Aviagen fornece avós e matrizes a clientes em mais de 100 países em todo o mundo, através das marcas Arbor Acres, Indian River e Ross. Com um portfólio variado a Aviagen atende, em especial, a Europa e a ave mais comum em terras brasileiras é a Ross que se assemelha, de certa forma, com a COBB500, citada acima, em nível de lucratividade. Segundo o site oficial da própria Aviagen, as Aves Ross alcançam a primeira classe nas características de saúde das aves.

 

HUBBARD: A Hubbard também é considerada líder mundial em melhoramento genético para a produção de aves híbridas, e com isso, oferece opções variadas para o mercado, entre elas a Hubbard Flex, Hubbard F15, Hubbard JV. A mais popular é a Hubbard Classic, considerada a melhor dentro do portfólio da empresa no que diz respeito a versatilidade em termos de desempenho reprodutivo e de frangos de corte.

 

Avicultura Alternativa: A empresa mais antiga do mercado é a AVIFRAN.

Os dados zootécnicos para comparações neste segmento ainda são pequenos por se tratar de um mercado novo; a diferenciação está no produto final que o consumidor compra e não no desenvolvimento das raças de outras empresas como a Globoaves, por exemplo. Em suma, as empresas possuem desempenhos parecidos, em relação ao ganho de peso e características de carcaça que são desejáveis aos famosos frangos caipiras.

 

AVIFRAN:

A Avifran é empresa mais antiga a fornecer pintinhos caipiras para o mercado. São mais de 20 anos de atuação. As aves seguem a proposta da avicultura alternativa, com a criação das aves sem aprisionamento, gerando assim frangos caipiras e orgânicos de qualidade. O diferencial da criação deste tipo de ave é que estimula a agricultura e avicultura familiar proporcionando, desta forma, não somente o sustento de famílias em todo o Brasil bem como uma nova forma de produzir o alimento. Os ovos e carnes do frango caipira são mais saborosos e mais ricos em vitaminas, como citamos acima.

 

Quais são as raças consideradas matrizes para que outras linhagens híbridas possam ser criadas, e assim abastecer o mercado?

Segundo a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) são mais de 300 raças puras e variedades de galinhas desenvolvidas até os dias de hoje. Porém, nem todas são acessíveis ou possuem expressão no mercado.

O chamado “banco genético” é a fonte da diversidade e o combustível para os cruzamentos que dão origem aos híbridos modernos. Podemos ter acesso a este banco genético conhecendo um pouco das aves que o compõe. Veja só!

 

Plymouth Rock:

As aves desta raça são originárias da região de Plymouth Rock, leste dos EUA. Inclusive existe uma tradição no local na qual diz que a pedra fundamental do país está em Plymouth. Isso porque ali que os primeiros colonizadores ingleses chegaram em meados do final do século XVI e início do século XVII. Uma das características desta ave é ser uma boa opção tanto para produção de ovos como para o corte. Ela produz, em média, 220 ovos por ano. As variedades da Plymouth são: Barrada, Branca, Amarela, Prata Pinceledo, Perdiz, Columbia e Azul.

O peso dos machos adultos atinge cerca de 4,5 kg e das fêmeas 3,5 kg. Os ovos produzidos por ela são de casca marrom o que, de certa maneira, diminui a aceitação em alguns mercados, já que a preferência do consumidor é, em sua maioria, por ovos de casca branca.

E por falar em cor branca, a ‘Plymouth Branca’ apresenta uma vantagem em relação às demais devido também a preferência de alguns abatedouros que dão prioridade a aves de penas brancas. As aves desta raça são, normalmente, dóceis e muito resistentes, ou seja, não exigem excesso de cuidados na criação, assim, elas se comportam bem na presença de outras aves no mesmo espaço.

New Hampshire:

A New Hampshire, assim como a Plymouth Rock, tem suas origens nos EUA. Uma das facilidades na produção e manejo é que os machos possuem uma mancha branca no peito característica, auxiliando com isso na diferenciação dos sexos. Apresenta uma coloração mais clara e de maior brilho. É uma ave rústica e bastante popular por apresentar maturidade sexual precoce, e também possui boa aptidão também para a produção de carne, sendo possível obter frangos de 1,600 kg, aos 90 dias. Em relação aos ovos (com casca marrom), a ave produz em média 200/220 unidades por ano.

Cornish:

Com a produção de ovos pequenos e com eclodibilidade pequena, a Cornish é mais conhecida pela produção de carne, em especial quando há um cruzamento com a Plymouth Rock Barrada, Plymouth Rock Branca, New Hampshire etc. Produz ovos com casca marrom, possui crista ervilha e pele amarela e seu diferencial em especial para o objetivo de frango de corte é o corpo da ave: pernas mais curtas, corpo mais amplo e com peito mais musculoso do que as demais aves.