Os principais grupos e empresas nacionais e multinacionais criam núcleos para estarem cada vez mais em contato com a inovação

 

Pensar fora da caixa. Ser disruptivo. Estamos ouvindo com frequência estas expressões nos últimos tempos. A inovação chegou de vez, e aqueles empreendedores mais conservadores começam a entender que inovar não é mais questão de gosto, e sim de necessidade. Segundo Steve Jobs, fundador da Apple, investir em inovação distingue um líder de um seguidor.

Derivada do latim ‘Innovatio’, o termo se refere a uma ideia, método ou objeto que é criado e que pouco se parece com padrões anteriores, ou seja, inovar é realizar um procedimento que já estava sendo ou não realizado, porém de uma forma diferente.

Segundo pesquisa realizada em 2018 pela OMPI (Organização Mundial da Propriedade Intelectual) juntamente com a Universidade Cornell nos EUA, o Brasil subiu 5 posições e passou do 69º para a 64º lugar entre 126 países no Índice Global de Inovação (IGI). O professor Soumitra Dutta, professor da Universidade de Cornell e um dos responsáveis pelo estudo, apresenta uma hipótese para a melhora apresentada no ranking.

“Havia muitos órgãos responsáveis pelo assunto, falta de coordenação e um clima de complacência. A crise brasileira criou um senso de urgência e necessidade de ação”, afirmou o professor em entrevista exclusiva para a Revista EXAME do grupo Abril em julho de 2018.

Contudo, algumas métricas oriundas de realidades do interior, ou dos chamados “grassroots movement” (movimento social em que se enfatiza o empoderamento de grupos locais) como Santa Catarina, Minas Gerais, Recife, São Paulo, Campinas e São José dos Campos, por exemplo, já sinalizam um crescimento ainda maior.

Na região do interior de São Paulo, uma dos principais polos é a cidade de Campinas, considerada o 4º maior polo de inovação do país, ficando atrás apenas de capitais como São Paulo e Florianópolis.

Já na capital paulista, um case de sucesso é o espaço CUBO, uma parceria entre o Banco Itaú e o fundo de investimentos Redpoint Eventures, que abriga mais de 200 startups gerando uma receita de aproximados 400 milhões em 2018.

Em Uberlândia, triângulo mineiro, o Uberhub (Instituição que reúne o ecossistema de inovação da cidade e região e mensura resultados) divulgou no início deste ano um levantamento a respeito do investimento em inovação na região citada. Ao todo foram mais de 3,7 bilhões em faturamento em 2018. 

Quais são as empresas mais inovadoras do país?

As empresas sinalizadas abaixo possuem setores ou núcleos de inovação que são abertos para visitas com agendamento prévio.

Microsoft

Criada por Bill Gates, a empresa faturou em 2018 12% a mais se comparado ao ano anterior. Os dois núcleos que lideram os serviços da multinacional hoje são dados em nuvem e games

Siemens

Instalada no Brasil há 110 anos, a Siemens possui alguns marcos inéditos do seu segmento, como por exemplo, em 2007 a empresa inaugurou em Jundiaí, interior paulista, o maior complexo industrial integrado de equipamentos de energia da América do Sul. São mais de 5,5 mil colaboradores no país. Em 2017 a empresa lançou de forma pioneira a plataforma Mindsphere, sistema operacional aberto para Internet das Coisas (IOT).

Philips

Empresa holandesa criada para fabricar lâmpadas em 1891. Em 1927 começou a produzir rádios e foi crescendo a cada década no ramo de tecnologia, pesquisa e desenvolvimento.

A Philips lançou há dois anos em Varginha, Minas Gerais, uma nova fábrica de equipamentos médicos na qual já é considerada um Centro de Excelência e Inovação em saúde e bem-estar para a América Latina.

ArcelorMittal

Com uma matéria prima considerada primária, o aço, a empresa é referência em investimentos inovadores no Brasil e é responsável pela criação do Açolab, o laboratório de inovação da empresa em Nova Lima, Minas Gerais. Em 2018 a ArcelorMittal investiu 30 milhões em inovação no setor de TI e Digital.

No que diz respeito a inovação e sustentabilidade a empresa se dispôs a criar aços mais leves para deixar automóveis mais eficientes e menos poluentes.

FCA Brasil (Fiat)

Fundada em 1899 na Itália, o grupo chegou ao Brasil na década de 70 e desde então vem construindo uma história de solidez e inovação. Sua unidade em Betim, Grande Belo Horizonte, é considerada a maior fábrica de veículos da América Latina, produzindo aproximadamente 800 mil carros por ano. O Future Insights, divisão de pesquisa ao lado de sua fábrica em Betim, foi criado em 2014 e é um dos pontos focais de inovação de empresa.

Cielo

Popularmente associada a máquinas de cartão, a Cielo possui muitos mais serviços no setor financeiro, e é a única empresa totalmente brasileira no ranking de empresas mais inovadoras do país.

São atendidos pelas máquinas da Cielo, aproximadamente 1,6 milhão de clientes no Brasil.

Embraer

Com escritório no Vale do Silício, Califórnia, a região referência em inovação no mundo, a Embraer investe 10% de todo o seu faturamento em inovação por ano.

Segundo a assessoria da empresa, a Embraer ainda participa do FIPE (Fundo de Investimentos em Participações Aeroespaciais).

SAP

A empresa alemã possui um centro de inovação no Brasil dos 19 ao redor do mundo. A expertise 4.0 é oriunda da Alemanha, o que traz no DNA da empresa um traço de inovação permanente.  A SAP chegou no Brasil em 1995 e se destaca pela criação de aplicativos institucionais e empresariais.

Accenture

Recife é um polo de inovação no Brasil, e este fato se da, principalmente, devido à presença da Accenture no capital pernambucana. Com 6 escritórios e mais de 2 mil colaboradores, a empresa já é a maior empregadora de TI do Nordeste.

 

‘Quero inovar, mas não tenho investimento. ’ Saiba como resolver este gargalo.

Uma das principais dores das empresas hoje é ter a consciência da necessidade de inovação, mas não ter verba ou crédito para tal atividade. Para isso, existem instituições de fomento ou bancos específicos para atender este tipo de iniciativa.

O BDMG (Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais) possui linhas de créditos próprias para quem quer inovar. O banco exige uma documentação densa para comprovar o crédito, mas as taxas são abaixo do que as oferecidas mercado.

A FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos), é uma empresa pública brasileira que fomenta também a ciência e a inovação em todo o país. Vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação do Governo Federal, seus consultores atuam por regiões do território nacional; para agendar atendimentos ou tirar dúvidas, acesse www.finep.gov.br

O Ministério citado acima, também oferece desde 2006 a chamada ‘Lei do bem’, uma espécie de abatimento fiscal para empresas que investem em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento). Saiba mais em www.mctic.gov.br